Iluminação ou questionamentos acerca das sensações

Para ler ao som de Oh, Sweet Mary de Janis
Joplin.

 

*Quadro
“Sensações” da autoria da pintora Alexandra Cunha.

Tudo é sentir! Que liberdade tão utópica, sempre quis! Mas eis que li, em algum lugar, um não sei quem que falou sobre sensações acima da razão, acima das representações. E sobre tudo aquilo que vemos e cremos, são meras reproduções, é tudo impressão. É tudo quimera… Basta o que eu sinto. E não venha me dizer que será um caos o meu mundo!
O meu “eu” é um turbilhão. Não é fixo, definível, mas sim um feixe de sensações as quais vou tendo, as impressões que vou criando através de minhas experiências de vida. A soma de meus instantes fazem do meu “eu” um tanto cada dia. Esquizofrenia? Não, modificações, aquela palavra que ainda causa muito medo: mudança.

E mesmo amando e apreciando a Filosofia, quero me apegar na arte que me inspira, no caminho que venho percorrendo dentro de mim, um resultado físico-mental de minhas evoluções. E vou trilhando, pois, a certeza não é absoluta. Nada é absoluto, nem mesmo a realidade e até mesmo nossas ideias não são nossas. ”Todas as nossas ideias ou percepções mais fracas são imitações de nossas mais vivas impressões ou percepções.” [1] E de onde nos vêm essas impressões? Do mundo, já estão prontas, são cópias.
As impressões me acovardam, elas me prenderam por tempo demais. Eu já não quero ter impressões, quero sentir… Assim deve ser. Assim sendo, quero extenuar meus sentidos. E se a certeza é uma utopia, as verdades morais não são eternas, que caiam uma por uma, as minhas. Há tempos eu já esperava por isso. E sei que Deus, este Ser Supremo ao qual adoro, deseja o bem, me trouxe a liberdade do poder do conhecimento e quer que experimentemos as sensações puras estranhamente humanas, que só são pervertidas mediante o preconceito, a arrogância, a tirania e a desumanização. Contra isso quero correr, porque, tais coisas me afastam de Deus. Quero o transcender!
Posso ter certeza das coisas que eu sinto? Serão as tais impressões? Ainda existem tantas perguntas e de nada mais há certeza.
Talvez, se lêssemos mais sobre um não sei quem chamado David Hume, nossas perguntas aumentem e nossas dúvidas tripliquem. Isso é bom, é ótimo.
Álvaro de Campos termina resumindo tudo:

“Eu adoro todas as coisas 
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo.(…)
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.”
Ana Paula Duarte, como diria G. Rosa: “Sei quase nada, mas desconfio de muita coisa…”
[1] *Citação de David Hume.

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